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Viajando com A L
03/03/2009

Tenho algumas amigas fiéis, amigas irmãs, além de Fátima, a secretária de meus pais, que além de minha grande amiga é a minha principal fonte de informação sobre os acontecimentos do bairro e da vizinhança.

M A é minha amiga há mais de trinta anos e minha companheira de caminhadas. Não temos podido exercer essa atividade ultimamente, pois o Sol aqui no Rio anda inclemente, como no Ceará. Tenho me lembrado da música Súplica Cearense, de Gordurinha e Nelinho, sempre que vou ao Centro do Rio.

M, minha amiga psicóloga, sempre tem a palavra certa na hora exata. Seus conselhos são sempre sábios. Possui uma inteligência sofisticada e um humor ácido.

G, minha astróloga, interpreta sempre com conhecimento de causa, meus trânsitos e revoluções solares, abrindo meus horizontes e mostrando-me os caminhos.

E A L, que é a minha companheira de cinema, de shoppings e de viagens. Vocês sabem que é muito difícil uma boa sintonia com uma companhia de viagem. Em viagens, a probabilidade de sair confusão é enorme. Casais divorciam-se, namorados voltam para casa brigados, amigos ou amigas batem boca e se estressam. Quando estamos fora de nosso habitat, as arestas ficam mais cortantes, bate uma insegurança e aí vem a confusão, o mau humor, etc.

A L e eu já viajamos juntas três vezes, uma para Nova York, outra para Paris e Londres e uma terceira para Florianópolis. As três experiências foram ótimas e nas três viagens aconteceram lances hilariantes, que merecem ser contados em detalhe.

Nós duas somos, fisicamente, totalmente diferentes, mas temos a mesma faixa etária e a mesma formação, engenheiras. Ela ainda trabalha nessa área, pelo menos numa empresa de Engenharia e eu, vou mudando a minha vida de tempos em tempos.

Nossa primeira experiência foi, em 2006, para Nova York. O primeiro problema surgiu logo no início, mas foi rapidamente solucionado. Nós duas gostamos de nos sentar na cadeira do corredor do avião, talvez por medo de ficar presa, dependendo da pessoa ao lado para ir ao banheiro. É aquela mania de mulher independente, que não quer depender nem do vizinho de assento para se levantar. Mas como ela me confessou que não dormia de forma alguma, em aviões, que ficava a noite toda acordada, zanzando pelos corredores, fazendo alongamento, abdominais e flexões, conversando com a tripulação, não me importei em sentar-me na janela, pois eu tomo duas doses de whisky, dois comprimidos de Rivotril de 3 mg cada e desmaio. Caso eu acordasse no meio da viagem para ir ao banheiro, ela certamente estaria acordada ou nem estaria sentada.   

Nós temos praticamente os mesmos gostos, o mesmo nível sócio-cultural e financeiro, o que facilita em muito a nossa sintonia. Divergimos em algumas coisas, mas essas diferenças acabam por nos completar. Por exemplo, A L é uma pessoa fina e educada, com eu também sou, mas ela detesta pagar mico e eu já não me incomodo muito se for para o bem das duas e no meio de gente que eu não conheço. Se a aeromoça gritasse que quem chegasse primeiro ao balcão de embarque, com os tickets na mão, ganharia lugares na primeira classe, eu jogaria as malas todas para ela segurar, pegaria os dois tickets de embarque e sairia correndo, empurrando velhinhas e velhinhos, esganando criancinhas, sem o menor pudor ou constrangimento e levaria uma grande chance de ganhar a corrida. Ela, nesses momentos, prefere ficar me assistindo, de longe, de óculos escuros Prada, para que ninguém a reconheça como minha companheira. Mas que ela bem que gosta quando eu sou bem sucedida, gosta!

A L não tomava bebida alcoólica de espécie alguma e eu consegui, nessa primeira viagem, torná-la apreciadora, até hoje, pelo menos de um bom Prosseco Italiano.

Bem, brevemente contarei a vocês nossas aventuras em Nova York, pois já estamos com outra viagem marcada para Paris em abril. Está próximo.

Meus amigos, um detalhe importante: nós duas não temos a menor vontade e nem a menor intenção de participarmos de Cruzeiros Marítimos, pela Costa da América do Sul. Abominamos a idéia de ficarmos presas em alto mar, sem luz, sem água, sem comida, sem banheiro e sem tudo o que julgamos indispensável à nossa sobrevivência, ao nosso conforto.

Rio, 03.03.2009
Maria Cristina Villares
villaresmcl.blog.uol.com.br

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