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Maria Bonita – Mulher Brasileira
08/03/2009

"Acorda Maria Bonita, levanta vai fazer o café
Que o dia já vem raiando e a polícia já está de pé...”

No mês internacional da mulher, existe mulher mais brasileira, mais guerreira e mais apaixonada, para homenagearmos do que Maria Bonita? Existem outras várias, que merecem ser homenageadas, mas Maria Bonita, com certeza, representa todas nós. Perdoem-me os que discordarem, mas a unanimidade é impossível e como aqui vale a opinião da cronista, o meu voto é para Maria Bonita. Então continuando...

Maria Gomes de Oliveira nasceu numa fazenda do interior da Bahia, no dia 8 de março de 1911, exatamente no Dia Internacional da Mulher. Será que foi o acaso?

Ela era de uma família humilde, com 11 irmãos e casou-se ainda muito jovem, aos 15 anos, com um sapateiro, conhecido por Zé Neném. O casamento não deu certo, era uma relação complicada, num tal de separa e volta, e além do mais Zé Neném era estéril. A cada briga, Maria Bonita fugia para a casa dos pais e por lá ficava uns tempos.

Os pais de Maria tinham muito respeito e admiração por Lampião, o Rei do Cangaço, Virgulino Ferreira da Silva, assim como vários fazendeiros da região. Lampião e seu bando sempre faziam umas paradas obrigatórias nessas fazendas, cujos donos eram chamados de coiteiros, pois os acolhiam e lhes davam guarida.

Foi numa dessas brigas entre Maria e Zé Neném, que ela e Lampião se reencontraram, quando o bando passava pela casa de seus pais, em 1929. Lampião, nessa época, tinha uns 33 anos e Maria uns 20.

Maria tinha o tipo físico bem brasileiro, baixinha, rechonchuda, cabelos e olhos castanhos, o que encantou Lampião.

A atração foi recíproca, à primeira vista e aí começou uma história de paixão avassaladora e desenfreada, companheirismo e amor que os manteve unidos até as suas mortes.

Um ano depois, em 1930, Lampião a convidou para fazer parte de seu bando, como sua companheira e assim Maria Bonita entrou para a história como a primeira mulher a integrar um grupo do Cangaço, abrindo o caminho para que outras mulheres viessem, logo depois, se juntar a seus companheiros, como Dadá, mulher de Corisco e Lídia, mulher de Zé Baiano.

Lampião e Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita, em 1932, que foi criada por coiteiros, nascida de uma das quatro gestações de Maria. O casal nunca se separou, chegando a viver juntos por oito anos, período em que ela foi ferida apenas uma vez.

Ela era a Musa e a Rainha do Cangaço e assim como ela, todas as mulheres tinham várias atividades no bando, participando até dos combates. Conta-se que a intervenção de Maria, impediu, por várias vezes, atos de verdadeira crueldade de Lampião.

No dia 28 de julho de 1938, durante um ataque ao bando, o famoso casal foi brutalmente assassinado, tendo suas cabeças cortadas e expostas em praça pública. A autópsia depois revelou que Maria Bonita chegou a ser degolada ainda viva.

E assim morria o casal mais unido e mais temido de todo o sertão brasileiro, Lampião e Maria Bonita. Cruéis por natureza ou por necessidade?

Pioneira, ousada, musa inspiradora, corajosa, sertaneja, cangaceira, apaixonada, temida, cruel, lutadora? O que mais podemos dizer de Maria Bonita? Nada ou tudo, mas certamente que ela representa, ideologias à parte, a verdadeira e real mulher brasileira.

"Acorda Maria Bonita, levanta vai fazer o café
Que o dia já vem raiando e a polícia já está de pé...”

Rio, 08.03.2009
Maria Cristina Villares
villaresmcl.blog.uol.com.br

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