Viajando para Paris
15/04/2009
Hoje é dia 15 de abril, quarta feira. Ana e eu embarcamos ontem, para Paris às 23:50 h, pontualmente, pela Tam, num vôo direto do Rio. Ainda bem que não precisamos fazer conexão em Cumbica, o que é um verdadeiro suplício. Pelo menos agora, o Rio está tendo vôos diretos, internacionais, com maior regularidade. Não podemos reclamar de nada até o momento. O horário foi rigidamente cumprido e o jantar servido a bordo foi bastante razoável. Tomei um bom vinho tinto, com um comprimido de Rivotril de 2 mg. Até agora, nada de sono e então resolvi pegar o notebook para contar para vocês o que está acontecendo.
Ana está vendo um filme do Brad Pitt, mas eu não consigo me concentrar em filmes em viagens. Prefiro ficar olhando pela janela, vendo se consigo identificar algumas constelações e ficar acompanhando aquele mapa online. Nesse momento, com quase duas horas de vôo, já passamos por Salvador, a minha cidade querida.
Quando o sono chegar, eu paro e depois continuo. Mas vou fazer o possível para escrever o mais que eu puder. Olhei pela janela. Tudo escuro, somente as estrelas cintilam. Pareceu-me ver o Cruzeiro do Sul. Deve ser ele mesmo, pois ainda estamos abaixo da linha do Equador e a estrela de baixo aponta justamente para o Sul. Não consigo ver a Lua. Ou deve estar do outro lado do avião, ou deve estar inspirando outros corações enamorados.
Acabou de aparecer um comissário de bordo que gentilmente pediu-me para fechar a janela. Parece que o pessoal quer dormir e aquelas luzinhas piscando na ponta da asa do avião atrapalham o sono deles. Fechei, mas logo dei uma levantadinha de leve e olhei para ver se o Cruzeiro ainda estava lá. Estava.
Olhando para o mapa, já passamos por Arapiraca e estamos chegando a Garanhuns. Garanhuns é a terra do nosso Presidente. Ou não? Perguntei a Ana e ela me confirmou. Estamos em Pernambuco. Daqui a pouco, somente o mar estará abaixo de nós. Quando será que vai clarear? A diferença de horário daqui para Pais são de cinco horas. Lá já são sete horas da manhã.
Já pratiquei uma boa ação hoje. Depois que chegamos ao Aeroporto do Galeão, recuso-me a chamá-lo de Tom Jobim, e fizemos o check-in, fomos, é claro, ao Freeshop. Ana já queria começar a fazer compras. Encantou-se por uma bolsa da Donna Karan. Mas eu consegui convencê-la a deixar para começar a comprar mais tarde. Mas eu sei que daqui a pouco, no avião, ela vai começar e eu não vou reprimir. Repressões não. Estamos de férias.
Olhei para o mapa. Já estamos na Paraíba, bem em cima de Campina Grande, a uma altitude de 37.000 pés, mais ou menos 11.000 metros.
Na poltrona do nosso lado, com o corredor no meio, ainda bem, há um jovem rapaz, com toda a pinta de estrangeiro, bêbado feito um gambá. Nem sei como ele conseguiu embarcar. A aeromoça precisou vir colocar o cinto de segurança nele. Mesmo assim, a sua cabeça balança para frente e para trás. Ana e eu sentimos um bafo de álcool danado. Não reparei se ele jantou. Não deve ter comido. Está apagado.
Levantei de novo a janela. Continua lá o Cruzeiro. Ana está firme, concentrada no Brad Pitt. Só vai parar de ver quando começarem a vender as muambas. Aí eu também vou querer ver, confesso.
Já estamos pertinho de Natal e daqui a pouco vem o Oceano Atlântico. Aí o mapa perde um pouco a graça e eu vou ver se durmo. Mas antes quero ver o que tem para vender no avião e ir ao banheiro.
Voltei decepcionada do banheiro. Calma gente, não houve nada de anormal. Apenas perguntei à aeromoça quando começariam a vender os produtos do Freeshop. Sabem a resposta? Nos destinos da América do Sul para a Europa, não há Freeshop a bordo. Ana vai ter que esperar para gastar lá em Paris, mesmo. Melhor. Muito mais opções!
Vou parar por aqui, porque minha bateria está acabando, ou melhor, a do notebook, e está começando a me dar um soninho. Daqui a sete horas e meia estaremos chegando a Paris. Vou tentar dormir um pouco e de lá eu continuo. O problema é que essas poltronas inclinam num ângulo máximo de vinte graus e são duras feito páu. Mas vamos tentar. Já estamos sobre o Atlântico.
Acordei. Deu para dar uma cochilada. Ana está nos alongamentos e eu vou acompanhá-la para melhorar a circulação.
Já vão servir o café da manhã e daqui a pouco estaremos em Paris.
À bientôt, mes amis.
Rio, 15.04.2009
Maria Cristina Villares
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