Galileu Galilei
28/01/2009
Galileu Galilei nasceu na cidade italiana de Pisa, em 1564, tendo sido um dos maiores nomes da Ciência Moderna. Em 1574, mudou-se, com sua família, para a cidade de Florença, onde continuou os seus estudos. Seu pai queria-o estudando Medicina, mas Galileu sentia-se atraído pela Matemática.
Físico, Matemático e Astrônomo, Galileu Galilei foi um dos grandes protagonistas do Renascimento Científico dos séculos XVI e XVII, tendo sido o primeiro a contestar as afirmações de Aristóteles que, até aquela época, tinha sido o único a fazer descobertas sobre a Física.
Neste período, Galileu fez a balança hidrostática que deu origem ao relógio de pêndulo; a partir da informação da construção do primeiro telescópio, na Holanda, por volta de 1600, Galileu construiu o seu próprio, e apontou-o para o céu. Aí começou o seu calvário. Com sua luneta, ele pode observar a composição estelar da Via Láctea, os anéis de Júpiter, o Sol, a Lua e as fases de Vênus. Através dessas observações, Galileu passou a considerar o Sol, e não e Terra como o centro do Universo.
Por sua visão heliocêntrica, foi chamado a Roma em 1611, já que estava sendo acusado de herege. Condenado pela Igreja Católica, foi obrigado a assinar um decreto do Tribunal da Inquisição, onde declarava que o sistema heliocêntrico era apenas uma hipótese. Contudo, em 1632, mesmo sob a pressão da Igreja, ele voltou a defender as suas idéias e deu continuidade aos seus estudos, apesar do Tribunal da Inquisição ter censurado os seus livros, que descreviam as suas teorias.
Em 1642, morreu muito doente e cego, em Arcetri, uma cidade perto de Florença, cercado por seus discípulos e por sua filha, e com as suas obras condenadas, censuradas e proibidas pelo intolerante e obtuso Tribunal da Inquisição.
A mesma Igreja que o condenou, absolveu-o muito tempo após a sua morte, ao final do século XX, mais de três séculos depois. Parece mentira, mas não é. Acreditem!
Seus restos mortais estão, hoje, enterrados numa tumba, na Basílica de Santa Cruz de Florença, onde estão também os de Maquiavel e de Michelangelo. Três nomes de imensurável valor, de real importância para o mundo contemporâneo.
Eis uma breve história de um grande homem, que morreu sem abrir mão de seus ideais, de suas certezas, condenadas pelo obscurantismo e pelo radicalismo de uma religião, que quase quatro séculos depois o absolveu. Será que o grande Galileu precisava do perdão e da compreensão da Igreja Católica?!
Nenhuma religião, seja ela qual for, tem o direito de usar o nome de Deus para condenar ou absolver os homens. Essas instituições estão, dessa forma, utilizando o nome do Pai de todos nós, para acobertar o radicalismo de seus dogmas. Dogmas esses criados por homens, tão ou mais condenáveis do que aqueles são julgados e condenados.
Em pleno século XXI, recuso-me a aceitar esses radicalismos e intolerâncias, sejam eles católicos, protestantes, judaicos, muçulmanos ou outros quaisquer. Estou certa de que devemos pautar nossas vidas, cada vez mais, por princípios e valores que valorizem o caráter, a honestidade, a solidariedade, o ser humano. Afinal de contas Deus é Pai de todos nós e não é padrasto!
Bem, não vou aqui continuar a falar de religião, pois como sempre diz meu pai, com a sabedoria de seus 83 anos, “religião, política e futebol não se discute”. Então voltemos a Galileu.
Mas nosso amigo e mestre não consegue descansar em paz, pois está agora sendo alvo de cientistas de Florença e de Arcetri, a cidade onde morreu.
Sabem o que querem fazer com o nosso Galileu? Abrir sua tumba e extrair seu DNA para saber qual o grau de deficiência visual que ele possuía. Não parece brincadeira? Infelizmente não é, caros amigos.
“Mas é por uma boa causa!”, dizem os cientistas.
“Que boa causa, cara pálida?”
Por estarmos no Ano Internacional da Astronomia, esses cientistas têm em mente reproduzir as mesmas sensações e imagens que Galileu teve ao observar o céu pela primeira vez.
Ora, deixem Galileu descansar em paz! Abrir sua tumba para tentar extrair seu DNA, seria uma profanação. Graças às negativas dos órgãos italianos que administram essas relíquias, esses cientistas não estão tendo sucesso em sua empreitada. E mesmo fosse concedida a ordem para praticar-se essa heresia e que conseguissem descobrir seu grau de deficiência visual, nunca conseguiriam sentir o que Galileu sentiu ao observar o céu pela primeira vez, com seu telescópio. Sensações não podem ser simplesmente replicadas, copiadas, clonadas e imitadas. Sensações e sentimentos são únicos, de cada ser, de cada momento. Ninguém pode sentir por nós, chorar por nós, rir por nós.
E será que essa fortuna que seria gasta nessa empreitada ridícula, não poderia ser mais bem aproveitada pelo bem da Humanidade? Certamente Galileu ficaria bem feliz e sentir-se-ia gratificado!
Rio, 22.01.2009
Cristina Villares
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