Português inglês
Villares Corretores de seguros - Rio de Janeiro

Contato

Fátima, uma Pessoa muito Especial
02/02/2009

É sexta feira. Entro na casa de meus pais, vindo de uma consulta médica com minha mãe. Estou cansada, estressada e tudo o mais que se possa imaginar. As notícias da consulta não tinham sido nada animadoras. Abro a porta dos fundos e encontro-me com Fátima, na cozinha, com seu jeito simples de ser, seu sorriso cativante. Fátima trabalha na casa de meus pais, há uns dez anos. É uma sergipana simpática, aguerrida, tem um marido todo comprometido, inválido mesmo, com seqüelas de um AVC. Menos mal que não tem filhos, pois trabalha duro para dar uma vida melhor ao marido. Mas nada tira seu bom humor, seu jeito falante e alegre. Fátima faz tudo com boa vontade e com carinho, desde tomar conta da casa, das roupas, das compras, da cozinha e principalmente de meus pais idosos, durante o dia, de segunda a sábado.

Fátima é esperta, separa os remédios que eles têm que tomar, telefona para mim quando percebe alguma coisa errada, vai à farmácia, ao mercado, conhece toda a área perto da casa deles e também todas as pessoas.

Quando lá eu chego, ela é a minha informante sobre o que ocorreu durante o dia, em casa e na vizinhança. É a hora da fofoca. Sou informada sobre tudo o que aconteceu com os vizinhos. Passamos bons momentos, nós duas, na cozinha, onde ela prepara meu lanche, com todo o carinho. Enquanto me informa as novidades, comenta tudo ironicamente, dando-lhes sua interpretação, geralmente sábia e muito bem humorada.

Fátima também é minha amiga, sincera, conhece-me muito bem. Basta um olhar e já diz: “Cristina, você hoje está prejudicada...”, ou “essa roupa não fica bem em você”. Geralmente sigo seus conselhos e troco de roupa.

Bem, naquela sexta feira, tudo o que eu queria era ficar na cozinha, batendo papo com Fátima. Mas assim como ela me conhece, eu também a conheço e foi a minha vez de dizer:

- Pode ir falando, hoje é você que está prejudicada. O que aconteceu?

- Fui ao médico e ele falou que eu tenho um tumor na garganta.

- O quê?! Vai buscar o exame que ele viu. Também quero ver.

Enquanto eu, nervosamente, lia o laudo de uma cintilo grafia da tireóide, ela continuou:

- Ele falou que eu tenho que enfiar uma agulha no pescoço para saber se é câncer. Se for alguma coisa ruim, dou uma dose de formicida para meu marido e tomo outra.

- Se for alguma coisa ruim, Fátima, pode preparar três doses! Eu também quero.

- Você tem coragem?

- Claro! Como eu vou sobreviver sem você?

- Você não acha melhor pular no trilho do metrô?

- Não! Metrô, não. Minha amiga Marcia contou-me que uma mulher, em Buenos Aires, jogou-se no metrô há um tempo, o trem passou por cima, mas ela não morreu e ainda ficou sem os dois braços e as duas pernas! Agora nem se matar mais ela pode, coitada...

- É?! Então não. Formicida é melhor mesmo.

- Que tal um gás, Fátima? Um gás pode ser legal! Eu iria me trancar no banheiro, levaria um travesseiro, um colchonete, uns livros, papel, caneta, whisky e gelo. De repente, acabou-se...

- Não! Você pode ficar intoxicada, ser levada pro hospital e ainda pagar o maior mico! Já pensou? Hem? E a vizinhança? A porteirada toda falando! Com que cara você ia ficar? Você ia segurar essa?

- Então, só formicida mesmo. Mas antes você faz uma feijoada e eu encho a cara de caipira...

- Mas eu não bebo, só como, e bem!

- Qual o problema? Enquanto eu bebo e como, você come. Mas não vai errar a mão no formicida! Tem que ser um serviço bem feito!

- Claro! Você acha que eu ia errar? É fatal! Só tomar, esperar um pouco e pronto...

Meus amigos, podem acreditar, esse diálogo aconteceu. Nada aqui é ficção. Posso jurar. Foi surrealista!

No final, começamos a rir de tudo, mais ainda quando soubemos que o que ela tinha mesmo era um nódulo na tireóide, nada maligno, que nosso médico de família, onde eu a levei, diagnosticou e que foi que confirmado pela biópsia, graças a Deus. Não foi preciso cirurgia. Basta que ela faça um controle periódico, do tamanho do nódulo.

Depois que soubemos que não era câncer, foi um alívio. Saímos do médico comentando:

- Pronto Fátima, não precisamos mais nos matar. Viu? Ainda não chegou a nossa hora. Não adianta minha filha, você não vai se livrar de mim e de meus pais...

- É! Ainda bem... Eu não queria morrer agora não. Logo agora que eu virei gente!

- Como assim, Fátima?

- Cristina, eu passei a ser tratada como gente, depois que conheci vocês! Antes eu era bicho!

Essa pessoa fantástica, que é o anjo da guarda de meus pais e o meu também, foi trazida à nossa família pelo destino, para fazer parte dela. É assim que a tratamos, como parte da família, como uma pessoa muito querida e que merece todo o nosso apoio e o nosso carinho. Tudo na vida é uma troca. Tudo tem duas mãos. Se Fátima está conosco, é porque a merecemos e se a merecemos é porque ela nos merece.

Vocês bem que gostariam de ter uma Fátima em suas vidas, não é? Pois então façam por merecê-la! Fátimas, assim, não podem ser simplesmente contratadas, devem ser merecidas...

Rio, 02.02.2009
Maria Cristina Villares

voltar
 
Zurich
Bradesco Seguros
Unibanco Seguros
Chubb Seguros
Porto Seguro
Copyright © Villares Corretores de Seguros Ltda. Todos os direitos reservados. Profile Design
Página Inicial | Nossa História | Modalidades de Seguros | Equipe | Parceiros | Contato | Notícias | Publicações | Blog