A Copacabana que eu Conheci
09/02/2009
Está difícil ler os jornais ultimamente. Encontro apenas notícias sobre crise econômica, política, politicagem, politiqueiros, Obama, violência e esses assuntos já não despertam mais meu interesse. Procuro alguma coisa diferente e eis que encontro uma pequena nota sobre o Bob’s de Ipanema, aquele de antigamente, que agora foi reaberto com o selo original. Enfim uma boa notícia! Preciso ir lá matar as saudades daquele sanduíche de salada de ovos, no pão de forma torradinho. Era maravilhoso...
E por falar em saudades, vêm-me à memória tantas coisas que existiam em Copacabana, quando aqui cheguei, em 1962, e que já não existem mais. Fecho os olhos e passo a reviver os sabores, os aromas, as imagens que já se foram, mas que deixaram as suas marcas e as suas lembranças num cantinho do meu ser.
Sempre morei e ainda moro em Copacabana, atualmente no Bairro Peixoto, um oásis de paz e de tranquilidade. Nas décadas de 60 e 70 morávamos, meus pais e eu, no Posto Seis. Ir à praia aos domingos era um programa que não podia faltar. A praia no Posto Seis era simplesmente paradisíaca, com o mar tranqüilo e limpo, tal qual um lago. Podia-se boiar, nadar, sem medo das ondas ou de pegar alguma micose. Naquele tempo ainda havia tatuís na areia molhada, e vivos, sinal de que a praia não estava contaminada. Interessante, naquele tempo ninguém se preocupava em usar protetor solar, ao contrário, usava-se bronzeador. Havia bronzeadores feitos com urucum, coca cola e havia também um argentino chamado Rayto de Sol. Quando alguém viajava, trazia dúzias de Rayto para vender para a turma da praia.
Depois da praia, um almoço com a família na Colombo, que ficava na esquina da Avenida Copacabana com a Barão de Ipanema, onde atualmente é o Banco do Brasil. Almoçar na Colombo era o máximo. A comida era fantástica e a arquitetura do local era imponente, com as suas escadarias, uma pequena orquestra que tocava no salão do andar superior. Agora não é mais do que mais uma agência bancária...
Mas voltando ao Bob’s, que era o meu preferido, havia também o Gordon, com os seus sanduíches badalados, dentre eles o Submarino. O Gordon ficava na Avenida Copacabana, em frente à Galeria Menescal, entre a Santa Clara e a Figueiredo de Magalhães. Na porta do Gordon havia um bicho grande, em pé. Agora estou na dúvida se era um jacaré ou um canguru. “Era um canguru”, dizem lá em casa. Desfeita essa dúvida, vem-me outra. Qual a relação entre o canguru e um país tropical, já que o bicho é natural da Austrália? “Talvez os donos do Gordon fossem australianos ou tivessem simpatia pelo país ou pelos cangurus”, tornam a dizer lá em casa. O fato é que esse bicho é bem mais simpático do que o jacaré, e pronto.
Não posso deixar de lembrar-me também da Cultura Inglesa, onde estudei inglês por sete anos. Naquele tempo, jovens amigos, havia somente a Cultura Inglesa e o IBEU. O Oxford, que nem sei se ainda existe, surgiu bem depois. Pois bem, a Cultura Inglesa ficava numa casa ao lado da antiga TV Rio, no Posto Seis, onde hoje é o Shopping Cassino Atlântico e o Hotel Sofitel.
Será que alguém se lembra do Capitão Furacão? E de sua companheira de palco? Elisângela! É! Ela mesma. Ela deveria ter uns quinze anos e eu uns sete. Certa vez minha mãe levou-me para participar do programa do Capitão Furacão. Fiquei sentada com a garotada toda lá no palco! Estão pensando o quê? Era tudo ao vivo! Nada gravado. Na mesma época havia também o Capitão Asa, esse na antiga TV Tupi, na Urca. Ambos não estão mais entre nós.
Bem, o tempo passou e rápido, quase tudo mudou. Não vou ficar aqui divagando se piorou ou se melhorou. O fato é que tudo muda, nada para no tempo. Cabe a nós acompanharmos e nos adaptarmos às mudanças, mas preservando as boas lembranças da nossa infância, da nossa juventude, preservando sempre a nossa história. Disse certa vez Sir Winston Churchill: “Cultuando-se o passado, edifica-se o futuro”.
Rio, 09.02.2009
Maria Cristina Villares |