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Conselhos a uma Consumidora
17/02/2009

Minha cara Mônica,

Sempre leio as cartas dos consumidores revoltados, que reclamam por seus direitos, talvez por eu, eventualmente, me encontrar nas situações descritas por vocês ou talvez por ser, essa seção, atualmente, uma das partes mais interessantes dos jornais, além do obituário.

A sua carta chamou-me a atenção por relatar um fato com uma loja que costumo freqüentar e comprar, e que sempre tive em muito bom conceito. Aliás, seus preços não são nada módicos, mas seus artigos costumam ser bons e de bom gosto.

Você disse que foi comprar uma sandália e que ficou encantada por um chaveiro, de quase cem reais. Chaveiro caro, hem?! Bem, acabou levando os dois artigos. Nós mulheres, quando nos encantamos por alguma coisa, é um perigo: geralmente não resistimos. Continuando, você ao chegar em casa, louca para usar a sandália e o chaveiro, foi colocar as chaves no seu novo mimo e percebeu que ele era muito frágil e que abria com facilidade. Imagino a sua decepção!

Muito chateada, você voltou à loja para desfazer a compra porque não estava interessada em nenhuma outra mercadoria. A vendedora respondeu-lhe que não era possível devolver-lhe o dinheiro, mas que falaria com a gerente e lhe daria uma resposta, que até agora não veio.

Muito bem, Mônica. Realmente é muito difícil uma loja devolver o dinheiro para alguém insatisfeito. O que eles fazem é dar um vale, caso nada interesse ao cliente naquele momento. Você deve voltar à loja, falar com a gerente e deixar o chaveiro para análise. Esse ato implica em você preencher um papel relatando a sua insatisfação e assinar. Uma via ficará com você e eles serão obrigados a dar-lhe um outro chaveiro ou um vale. Um conselho: quando preencher o papel relatando as suas insatisfações, esperneie bastante, ameace ir ao PROCON e ameace também nunca mais comprar naquela loja e dizer para as suas amigas que aquela loja não é mais o que era. Escreva mesmo e bastante! Eles vão lhe retornar e oferecer-lhe um vale, caso nada lhe interesse. É melhor que nada, não é?

Já passei por uma experiência semelhante numa loja de calçados e bolsas do Rio, a do Sr. Gato. Comprei um sapato e uma bolsa clara, de cor marfim, pensando que era verniz. Usei a bolsa duas vezes, com uma calça preta. Obviamente a calça sujou a bolsa. Fui passar um sabãzinho de côco básico, delicadamente, e sabe o que aconteceu? A bolsa ficou pior. Começou a descascar. O suposto verniz não era mais do que uma leve camada de tinta sobre um couro vagabundo e escuro. Quanto mais eu tentava limpar, mais preta ela ficava, ou seja, a tinta marfim estava saindo.

Fui à loja do Sr. Gato e chamei a gerente, por sinal uma loura muito antipática. Ela queria me convencer que a culpa tinha sido da minha calça e que a bolsa somente podia ser usada com roupas claras. Ameacei armar o maior escândalo. Foi aí que ela falou que mandaria para análise e então veio com um papel preenchendo meu nome, telefone e etc. Quando ela foi preencher o campo das reclamações, eu puxei o papel das mãos dela e falei: “Agora quem vai escrever sou eu!”. Malhei, ameacei nunca mais comprar ali, fazer campanha nos jornais, o diabo. Quinze dias depois uma vendedora me telefonou, dizendo que era para eu ir pegar o que eu quisesse, no lugar da bolsa.

Ao lá chegar, fiquei aliviada por estar outra gerente, ao contrário da primeira, muito simpática. Essa me mostrou outros produtos, disse que aquele material não tinha sido aprovado, mostrou-me uma bolsa preta, daquele verniz fake, toda descascada e eu acabei levando uma bolsa e uma sandália de couro normal, não envernizado. Fiquei feliz e fui super bem atendida e orientada por essa segunda gerente. Talvez se estivesse lá a loura antipática, a gente tivesse batido boca.

Por isso, amiga Mônica, eu a aconselho a voltar na loja, falar com a gerente e mandar o chaveiro para análise. Mas não se esqueça de você mesma preencher o papel na hora de relatar as suas insatisfações. E aí, minha amiga, solte os bichos, esperneie, ameace e você terá pelo menos um vale de volta.

Não desista. Volte lá e siga meus conselhos. Nessa época de crise, o que eles menos querem é perder um cliente.

Abraços e boa sorte.

Rio, 17.02.2009
Maria Cristina Villares

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