Vergílio diz que setor de seguros brasileiro não corre risco na crise
07/10/2008 - DCI - SP
O mercado segurador brasileiro mostra preocupação com os efeitos da crise internacional no desempenho do setor. Segundo o superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Armando Vergílio, o número de pedidos de informação de seguradoras ao órgão sobre os reflexos da crise no mercado quadruplicou após a falência da AIG (Americam International Group). De acordo com Vergílio, porém, o mercado segurador brasileiro será pouco afetado pela turbulência externa devido ao conservadorismo da política econômica do País e das regras de solvência 2 (modelo baseado nas regras européias), implantadas pela Susep no final de 2007, com o objetivo de prevenir e controlar riscos das seguradoras. "Nosso modelo é mais preventivo do que punitivo", afirma Vergílio. Segundo ele, o mercado de seguros brasileiro está mais protegido contra a crise, já que não é autorizado a aplicar em ativos de risco no mercado internacional.
No Brasil, a maioria dos papéis está aplicada em títulos do governo. Para Vergílio, o problema nos EUA não foi de passivo, mas de ativo. "Nos Estados Unidos, os ativos estão lastreados em securitização de riscos hipotecários, é um mercado altamente alavancado", afirma. Segundo ele, a rigidez dos limites técnicos e operacionais das normas brasileiras, sempre criticadas pelo mercado internacional, mostrou sua eficiência no momento de turbulência. "Agora, o nosso modelo é o maior exemplo de que devemos ser cautelosos. Com a crise, o mundo cobra mais regulamentação", afirma Vergílio. Para ele, se o excesso de regulamentação não é bom, a falta é ainda pior.
Segundo o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros, Empresas Corretoras de Seguros de Saúde, de Vida, de Capitalização e Previdência Privada no Estado de São Paulo (Sincor-SP), Leôncio de Arruda, o mercado segurador vai crescer menos do que o esperado neste ano, caindo de 15% previstos para 10%, devido à contração de crédito já sinalizada pelos bancos. Para ele, em 2009, esse reflexo será sentido principalmente no setor de automóveis, já que haverá uma retração na indústria de veículos. "As expectativas de crescimento para 2009 vão depender muito do concerto que os EUA estão fazendo no mercado. Se a medida for insuficiente, creio que mercado financeiro do mundo será abalado", afirma Arruda.
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