Holanda vai injetar 10 bilhões no ING
20/10/2008 - Valor Econômico - SP
O governo holandês concordou em injetar 10 bilhões de euros (US$ 13,4 bilhões) no gigante bancário e de seguros ING Groep NV, num momento em que vários países tentam sustentar suas instituições financeiras.
O plano tem o objetivo de interromper um declínio de confiança que apagou 73% do valor das ações do ING este ano e impedir que clientes saquem seus depósitos do banco.
O investimento terá a forma de títulos sem direito a voto com um cupom cujo valor depende de uma série de variáveis e pode atingir 8,5% por ano, informou o ING em comunicado ontem. Como parte do acordo, o governo assumirá dois assentos no conselho supervisor do banco, que tem sede em Amsterdã, e os membros da diretoria do ING, inclusive o diretor-presidente Michel Tilmant, abrirão mão de bônus em 2008. O ING também informou que não pagará dividendos pelo restante do ano.
Embora os enormes depósitos de varejo do ING sejam uma fonte de força financeira quando os mercados de captação em grande escala congelam, o banco não ficou imune à crise financeira. Na sexta-feira, ele informou que teria um prejuízo de 500 milhões de euros no terceiro trimestre, em conseqüência de baixas contábeis relacionadas a ativos imobiliários e outros papéis.
Com governos ao redor do mundo adotando medidas para sustentar seus bancos, as firmas que não levantarem capital correm o risco de ficar em desvantagem diante de rivais melhor financiadas. Na sexta-feira, uma pessoa a par dos planos do ING disse que a captação de dinheiro privado ainda era uma possibilidade. Isso sugere que ficou claro nas discussões com autoridades do governo que a companhia precisava agir mais rápido e de maneira mais vigorosa para combater uma crise de confiança.
"As expectativas da quantidade de capital [de que] bancos e e seguradoras ao redor do mundo precisam estão aumentando rapidamente", disse o diretor financeiro do ING, John Hele, ao Wall Street Journal.
Ainda assim, o ING parece ter se saído melhor que outras instituições financeiras da Europa. A Holanda estatizou as operações do Fortis NV no país este mês, enquanto o governo britânico está assumindo grandes participações acionárias em bancos do Reino Unido. Os bancos britânicos concordaram em segurar dividendos para outros investidores até que o governo seja pago. O governo holandês, por sua vez, vai receber seus juros apenas se os acionistas ordinários do ING receberem antes.
Os títulos que o ING está emitindo para o governo não têm data de vencimento, de modo que o grupo pode pagá-los de acordo com seu próprio cronograma. A injeção aumentará o nível de capitalização 1 - um indicador importante da capacidade de absorver perdas - do ING de 6,5% para 8%.
As condições relativamente fáceis para o ING, e o fato de que o investimento do governo não incluirá participação acionária, podem ser uma surpresa agradável para os investidores do banco que estavam nervosos com uma possível diluição de suas participações. Esses temores fizeram a ação do banco cair 27% na sexta-feira em Amsterdã.
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